A Cultura do Luto
Prematuro nódulo, sentença
Prematura presença, amor
Distribuir emoções a estranhos
Entranhar o abandono no tempoBeijar culpados com os lábios
Derreter o grafite de meus inventos
Manchar pedras preciosas e níquel
Interferir os labirintos da mudançaMinha força nasce como um lobo
Rosnado para si mesmo
Sem dentes e desamparado
A solidão me criou SaturnoUma culpa que vicia em instantes
Beber dos vitrais que fazem de mim
Encontrar no humo em meus ossos soltos
Meu corpo vencerá CaronteDesculpe por alagar teus copos com meu pranto
Mas a saudade entranhada é uma ferida que coça
O desencanto é um gole rápido, mas nem por isso
Ele desce a traqueia como uma ida tranquilaO transtorno sequestra transeuntes desprevenidos
E todos dançando a melodia rotineira da cidade
A pressa, a promessa e a perseverança
Na ponta da língua de cada um, até não estar maisAnuncio meus anjos da espreita
Saltando das frestas de sol
Beirando a estima do cobre
Aproveitando o absurdo do silêncioTudo esteve há um passo da descrença
Teu nome, teu ventre, minha catedral, meu dilema
Passar de boca em boca, como uma mentira
Testemunhando abastados confrontarem-me…
enxergamos o mundo a partir de como somos - isso não significa que, por exemplo, enxergamos o mundo um lugar ruim porque somos pessoas ruins, mas o enxergamos desta forma porque aprendemos, a partir das nossas experiências, a enxergá-lo assim. certa vez li um texto chamado “o mundo é um espelho”, não lembro de que autoria, que dizia mais ou menos isso. o mundo é, de fato, um espelho, cada um enxerga no mundo um reflexo de si.
toda beleza e toda dor que enxergamos no mundo nada mais é do que um reflexo de quem somos, do nosso passado e presente. é como se cada um enxergasse o mundo através de uma lente única, exclusivamente sua, o que faz com que as situações e coisas tenham pesos diferentes, cores diferentes, sabores diferentes.
cada ser humano é um mundo, cada ser humano constrói um mundo para si - não necessariamente de forma consciente.
é como se, de certa forma, cada um vivesse em um mundo próprio, fruto de determinadas experimentações, as quais nos fazem reagir de determinadas formas a determinados estímulos, a sentir determinadas coisas em determinadas circunstâncias, a focalizar em determinados assuntos, a compreender melhor determinados conceitos, a ser mais afetado por determinadas causas.
o mundo, em si, não possui significado próprio - não passamos de grandes atribuidores de significados. infinitas são as subjetivações que criamos.
cs. (univversos)
Axis Mundi, Parte II
Um sopro confabula a frase:
Há revezes de toda a Babel erguida
Um lugar distinto e autônomo
Inalcançável ao homem, caótico aos seus deusesDesde o começo o confronto nos mantém unidos
Como uma herança milenar, como se um karma nos adotasse
Eu me carrego entre meus crimes de outras vidas
E cada eco que antepassados deixaram em sua imprudênciaO sonho fraterno corta a perspectiva
Enquanto esmagava gargantas
Incendiava casas, esvaziava povos
Banhava em ouro derretido as armasO intervalo que confina a mente
O real que desatina o corpo
A força se destrincha em três hipóteses
Criando: Influência, manipulação e violênciaO conflito venera a desavença
O primeiro deus é o outro
Fruto de uma admiração suspensa
Conhecer a si através de textos velhosCultiva a pele e as entidades ao espírito
Que vêm antes do dúbio deus e diabo
Intuições mais antigas que a cobiça
Você conhece a dissolução da matéria?Tudo que esteve perene e impossível
Foste puro, pois o homem não o corrompera
O que transcorre são novos rituais e novos significados
Civilizar como um álibi ao genocídio diárioOuvir crenças, desatar feridas
Liquefaz a palavra alívio pelo mundo
Escorrer como lágrimas da Gaia de seis faces
Transcrever as palavras: independência e identidade
A Trilha de Pedras, Migalhas e Pegadas
O diabo é um ato que com sorte
Morderá seus lábios
Atravessará seu rosto
E fará de você um reiCom azar, ele será o que é
Obra desagradável de desamor
Aparência órfã atrás de um sujeito
Para confirma-lo seu parPrimeiro, o sexo e toda a sua glória
Segundo lugar, a reencarnação
Terceiro ato: destruição do encanto
Por fim: o Resto dos dias traiçoeirosA feição travava com o lembrete
É só o desencanto meu amor
Frequentemente a beleza é uma distração
A nos adormecer em nossos cavalos de madeiraEm chamas ritmos foram gestados
Um chão forrado de pedaços de santos
Seus feitos são as paredes que resistem ao tempo
Inventando o mito ao muros de lamentos modernosUma boca açucarada
Que queria ter convencido
Eu nunca lapidei nenhuma virtude
Eu nunca lapidei nenhum textoEra tudo fruto de coices diários
Ou diálogos com canelas de cavalos
Eu não gosto de enterrar meu coração
Entre as abóboras deste tempoUm convite ao convencimento
Me conceda frases de impacto
Me interprete ao teu rigor
Estética cúmplice apontada ao público
você é o blues mais triste e mais lindo que já ouvi,
é a poesia mais complicada e mais complexa que já li,
você é a flor mais sozinha e mais maravilhosa que já conheci,
você é como uma bebida mais forte e mais doce que já experimentei.
você tem todo seu encanto por detrás dessa muralha toda que você levantou
e pode ser que ela te ajude a afastar de todas as pessoas ruins e de todo mal que existe
mas ela também impede a entrada de tantas pessoas boas e sentimentos bons
[o mundo precisa conhecer mais de você, meu bem.]
você é amor. deveria espalha-lo por aí ao invés de esconder tudo que és.
você é como aquele rock antigo que eu não canso de ouvir e se eterniza através do tempo.
[todos deveriam te conhecer e te ouvir].
Poderia atrofiar minhas pulsões?
Os braços pesam confissões ímpares
A escrita tem uma idade não linear
Adotada como um espaço inconveniente
Todos que eu escuto estão submergidos
Em praias minimalistas, atolados em dívidas
Devorados por sonhos invertebrados e vontades mal gastas
Atribuir repulsa em cada ato minguado de vitória
Preciso clamar sexo como gramática
Cada seis prismas de uma primavera
Escrita na pavimentação de um momento
Aliado ao escuro deformando sinônimos
Os olhos em espirais fisiológicas
Derretendo seus prazeres em análises escassas
Queriam a possibilidade de inventar que cada tecla do piano
Era um coice de um cavalo invisível viabilizando a arte
Reivindico a deformação em logomarcas
Eu alcanço o resto do rótulo
Escondido do lácio público
Eu danço com o alívio, o pervertendo
Esse é o fim entre as projeções adultas
Vagar em vigília de olhos bestiais
Recomendando o abandono
O absurdo é só um diagnóstico corporal verticalizado
Com justiça, adoeci a morte
Adulterei a primeira memória
E forjei todo movimento
Das bordas de assombrações
Colonizar antíteses, pretender a egotrip
Uma boca dentro de uma outra boca
Meu corpo mergulhado em discursos convincentes
Meu corpo deformando-se, atuando como antônimo
Tire seus argumentos dos meus problemas
Eu quero ter a chance de me afogar neles
Morrer prensado com cada coisa não dita
E renascer cuspindo falas ásperas
Pouco a pouco a paixão
O nocauteia e o convence
O insulto ao romance
O feitiço de espelhos, cal e areia
Mudo o estado natural de seus protagonistas
Em belezas patogênicas colhidas de agências
Especialistas em precarizar a vida
Eis um amuleto do nepotismo ao teu auxílio
Inimigo regional, toda oportunidade
A ferro um coração é leiloado
Os fúnebres esquemas de pirâmide
Arrastam a finda entidade para a vala
Eu escolhi alimentar esta inundação
E nesse período já foram décadas
Que supõem minha inda derradeira
E eu sempre continuo insinuando vida
A cada minuto que passa eu me extenuo
Doo meu corpo polido de carnaval
À uma assessoria de imprensa
Que vai velá-lo em matérias agnósticas
A pouca luz que entra neste ambiente
Recria criaturas alquímicas
Disformes que solvem na pele
Ou incham silhuetas errantes
O som dos meus órgãos trovejando
Me alivia e dicotomicamente me assusta
Uma esperança prevê a entrega à boemia
E eu atordoado conto sorrisos rubricados
Se as crianças pudessem ler o livro de Química saberiam que sarin é um gás organofosforado e, antes de matar, cega.
Se as crianças pudessem ler o livro de História saberiam que a infância torna-se refugiada enquanto os homens declaram guerra.
Se as crianças pudessem escrever seu próprio livro haveria uma outra página com um sol desenhado e uma casa de porta aberta.
Se os homens entendessem o singular de cada vida,
morrer ferozmente não seria sina.Ehre